quinta-feira, setembro 09, 2004

Este Setembro que avança traz-me de volta às primeiras chuvas e ao cheiro das castanhas assadas. Prelúdio de Outono. Ao anoitecer, entre o fumo dos assadores e a translucidez da chuva miudinha, a cidade assumia contornos fantasmagóricos. Chiavam os eléctricos nas curvas apertadas da Cruz dos Poiais, rangiam-lhes as entranhas na subida da Calçada do Combro. E, na irreverência dos dezoito ou vinte anos, a cidade era só nossa.

Inadiável...

...é uma visita ao blog da Sónia F. Está lindíssimo!

As-Silbia



“Uma das particularidades do Islão hispânico é a relevância que a mulher consegue ter na sociedade do seu tempo, onde não faltam, por exemplo, apreciáveis poetisas. As-Silbia gozou de grande prestígio na Silves almóada, como veremos pelo poema de que se dá versão. Trata-se de um protesto apresentado ao soberano Ia’qub al-Mansur pela carga fiscal que oprimia a cidade, protesto esse que obteria provimento.

De chorarem os palácios é chegada a hora
Pois as próprias pedras se lamentam.
Ó tu que vais onde a Clemência mora,
Esperando pôr fim às mágoas que atormentam,
Diz ao Príncipe quando chegares às suas portas:
Pastor! Olha as tuas ovelhas quase mortas
Que ficam sem prado para pastar;
Deixaste-as à mercê de muitas feras.
Um paraíso, minha Silves, eras.
Tiranos te lançaram ao fogo do inferno
O castigo de Alá parecendo desprezar:
Porém, nada é oculto para o Eterno.

Em ‘O Meu Coração é Árabe – A Poesia-Luso Árabe’, de Adalberto Alves

Ausências

Primeiro foi a Festa, de que tanto há para dizer… Os amigos que se encontram… Conseguir, mesmo por breves minutos, ter a família quase toda junta… Os sons, as cores, os sabores... O rio... A tarde de sábado, no Espaço Solidariedade, entre conversas e “mujitos”… Os livros… E por fim, o regresso com uma certa nostalgia. Para o ano há mais. Estaremos lá!

Depois, e com tanto para dizer, um computador que entra em auto-gestão e se recusa a obedecer a qualquer comando. Solução de emergência: o portátil, ligado à rede telefónica, pagando a respectiva factura. E ter que fazer ‘downloads’ de programas para trabalhar no blog… E fazer pesquisas no “Google” a velocidade de caracol…
Ao som de Tchaikovksy tento prosseguir.
Pois é, nada feito! O portátil também está combalido. Quando voltar ao blog, tudo o que hoje é notícia já será pré-história.
Finalmente, e recorrendo a meios já arcaicos, consigo estar aqui. Não era sem tempo!