sexta-feira, julho 15, 2005

"Um Fascista Grotesco"


Texto de Baptista Bastos no «Jornal de Negócios»:
«Alberto João Jardim não é inimputável, não é um jumento que zurra desabrido, não é um matóide inculpável, um oligofrénico, uma asneira em forma de humanóide, um erro hilariante da natureza. Alberto João Jardim é um infame sem remissão, e o poder absoluto de que dispõe faz com que proceda como um canalha, a merecer adequado correctivo.
Em tempos, já assim alguém o fez. Recordemos. Nos finais da década de 70, invectivando contra o Conselho da Revolução, Jardim proclamou: «Os militares já não são o que eram. Os militares efeminaram-se».
O comandante do Regimento de Infantaria da Madeira, coronel Lacerda, envergou a farda número um, e pediu audiência ao presidente da Região Autónoma da Madeira. Logo-assim, Lacerda aproximou-se dele e pespegou-lhe um par de estalos na cara.
Lamuriou-se, o homenzinho, ao Conselho da Revolução. Vasco Lourenço mandou arrecadar a queixa com um seco: «Arquive-se na casa de banho».
A objurgatória contra chineses e indianos corresponde aos parâmetros ideológicos dos fascistas. E um fascista acondiciona o estofo de um canalha.
Não há que sair das definições. Perante os factos, as tímidas rebatidas ao que ele disse pertencem aos domínios das amenidades. Jardim tem insultado Presidentes da República, primeiros-ministros, representantes da República na ilha, ministros e outros altos dignitários da nação. Ninguém lhe aplica o Código Penal e os processos decorrentes de, amiúde, ele tripudiar sobre a Constituição. Os barões do PSD babam-se, os do PS balbuciam frivolidades, os do CDS estremecem, o PCP não utiliza os meios legais, disponentes em assuntos deste jaez e estilo. Desculpam-no com a frioleira de que não está sóbrio. Nunca está sóbrio?
O espantoso de isto tudo é que muitos daqueles pelo Jardim periodicamente insultados, injuriados e caluniados apertam-lhe a mão, por exemplo, nas reuniões do Conselho de Estado. Temem-no, esta é a verdade. De contrário, o que ele tem dito, feito e cometido não ficaria sem a punição que a natureza sórdida dos factos exige. Velada ou declaradamente, costuma ameaçar com a secessão da ilha. Vicente Jorge Silva já o escreveu: que se faça um referendo, ver-se-á quem perde.
A vergonha que nos atinge não o envolve porque o homenzinho é o que é: um despudorado, um sem-vergonha da pior espécie. A cobardia do silêncio cúmplice atingiu níveis inimagináveis. Não pertenço a esse grupo».

4 Opiniões:

Blogger Vítor Sousa opinou...

Visite o meu espaço e deparar-se-á com a mais recente confissão pública do lorpa.

sexta jul. 15, 04:40:00 da manhã  
Blogger magude opinou...

Pena que o Major Lacerda já deve estar na reserva. Nunca tinha ouvido falar nele, mas só pelo episódio aqui relatado merece toda a minha admiração! Quanto ao Bokassa da Pérola do Atlântico, é mesmo uma questão... de deitar pérolas a porcos!
Um abraço,
José Carlos.

sexta jul. 15, 12:07:00 da tarde  
Blogger Zecatelhado opinou...

Não tinha lido este artigo do homem do laço.
Valente Major Lacerda! Este episódio também desconhecia. Há que recordá-lo e vou tratar disso.

Um abração do
Zecatelhado

sábado jul. 16, 03:29:00 da tarde  
Blogger zedtee opinou...

Cá p'ra mim, quanto ao episódio do major, há é que repeti-lo (depois de o recordar), que o Alberto João anda há que anos a pedir uns bons tabefes. :P

domingo jul. 17, 12:04:00 da manhã  

Enviar um comentário

<< Caminho de volta