quarta-feira, outubro 13, 2004

Um certo Alentejo



Os velhos do largo

Mal o sol arredonda a friagem da noite,
despontam um a um, rés às paredes das casas.
Nos bancos do largo, pontualmente nos mesmo lugares,
juntam-se como gatos em assembleia, desfiando a espuma
dos dias como quem já nem espera, e separando
os raios de sol com o olhar de quem já tudo viu.
Dissecam as palavras mansamente, com o cuidado
de quem retalha o pão de cada dia. Longe vai o tempo do
cante, que as gargantas, mais que as almas, perderam as asas.
Quando o dia conjuga o seu último tempo, andarilham
os passos de tactear as mesmas pedras que, desde a infância,
os tratam por tu. Mais que os sentidos, é a usança
que os norteia de volta às telhas ancestrais.
Voltarão amanhã, ou talvez não...

5 Opiniões:

Blogger Victor opinou...

Querida Margarida. Cada texto teu é um encantamento para quem o lê. Um beijo.

quarta out 13, 11:55:00 da tarde  
Blogger Guida Alves opinou...

Meu caro Victor, muito obrigada pelo apreço. Um abraço.

quinta out 14, 12:42:00 da manhã  
Blogger Rui MCB opinou...

O Victor já disse tudo :-)

quinta out 14, 10:52:00 da manhã  
Blogger Miguel Cardina opinou...

Que bela foteira (e respectivo texto)!

quinta out 14, 11:29:00 da manhã  
Anonymous Anónimo opinou...

A Margarida está a fazer deste blogue uma casa muito engraçada.
Parabéns!

Um abraço,
Francisco Nunes (Planície Heróica)

quinta out 14, 02:43:00 da tarde  

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