terça-feira, maio 17, 2005

Três á volta de um mesmo tema


Ó meus queridos amigos João e Carlos:
Não queria deixar passar a oportunidade de meter a minha colherada na polémica entre ambos, tanto mais que se desenrolou “cá em casa” e fui eu quem levantou a lebre.
Não para ficar bem vista por ambos os lados, confesso que concordo e discordo com alguns dos argumentos de um e outro lado. Ora vejamos:

- Concordo com os argumentos do João, quando ele diz (e resumo) que em cada país temos obrigação de respeitar a leis vigentes, sob pena de nos arriscarmos a cumprir penas que nos podem parecer estranhas ou injustas. “Dura lex, sed lex”. Se por cá se apanham penas suspensas, ou se considera como atenuante o facto de não haver antecedentes, possivelmente o mesmo não acontece no Dubai. Daí a que se esperasse que o jovem Ivo malhasse com os costados na cadeia durante os tais 5 anos, possivelmente sem expectativa de uma amnistia ou redução de pena. E, se com 29 anos se é ou não um “puto”, também é uma questão discutível. Depende tudo da maturidade mental… Sabemos que por cá, apesar de ser proibido, raramente se é condenado em pena semelhante por se ser portador, consumidor ou não, de uma dose idêntica de “haxe”. A menos que haja suspeitas de ligações a outra escala, e que, vindo a ser provadas, demonstrem que havia tudo menos “ingenuidade” ou “ignorância”. Ou então que se esteja em situação de não poder nem dever arriscar seja o que for. Lembro-me de um jovem meu conhecido que, há coisa de uns 16 anos, quando cumpria o serviço militar obrigatório, foi “apanhado” com uma dose de haxixe (que nem era sua…) durante uma rusga no bairro em que morava. Resultado: 2 anos de presídio militar! Sem apelo nem agravo! São malhas tecidas por legisladores, que raramente acertam com os pontos já dados anteriormente na manta de retalhos dos códigos civis, penais, jurisprudências, etc., num país em que por vezes há dois pesos e duas medidas.

- Entendo a angústia do Carlos, quando imagina que qualquer jovem cidadão desprevenido (?) pode, em circunstâncias destas, que ele nem considera muito graves, ver a sua vida desmantelada por uma aparente “criancice” num país de severos costumes e leis. O seu instinto de pai leva-o a minimizar, à nossa portuguesinha dimensão, um caseiro pecadilho que lá para aquelas bandas é mesmo um crime. Possivelmente outros comportamentos que por cá são mesmo passíveis de julgamento e condenação, por lá são consentidos e admitidos no dia-a-dia social. Ele sabe o seu filho isento e, em princípio livre, de problemas destes, mas quem sabe se por deixar cair ao chão um papel de rebuçado para a tosse, isso não será igualmente punível?

- Por mim abomino os fundamentalismos e os seus mentores. Tal como o João, gosto de transgredir, de pisar o risco. E a consciência adquirida de que não se pode passar do nível 10, sempre nos faz arriscar até ao 10,1… Mas, portas adentro desta santa terrinha ou “lá fora”, devemos saber sempre quais as consequências das nossas “aventuras”. E mais, não vislumbro opressão no meio disto. Apenas um cumprimento da lei, por quem de direito, doa a quem doer. Mas não me queria ver nessa pele! Também não assisti por forma nenhuma aos vedetismos de conferências de impressa e outros arraiais quejandos, de modo que isso também me levou a sentir um grande alívio por saber o Ivo Ferreira em liberdade e de volta à sua terra, não sem custos e outros empenhamentos da nossa diplomacia. E esses custos não deverão sair do erário público, tão depauperado, mas sim a quem de forma irresponsável deles se socorreu. Que ao Ivo e a todos os Ivos isto sirva para pensar em que mundo assentamos os pés e, se alguém se sentir com veia de D. Quixote, pois que lute contra os moinhos de vento que ensombram supostas liberdades.
Porque no charco mundial em que vivemos, melhor nuns lados, pior em outros, sempre se pode dar a pedrada que agite águas/consciências, pugnando pela justiça, sem devaneios de poeta nem arroubos de radicalismo pequeno-burguês.

E por aqui me fico, que já falei demais. Um abraço tão grande, que dure até ao dia 18 de Junho!

2 Opiniões:

Anonymous Anónimo opinou...

E eu não ponho mais na escrita, satisfazendo-me em absoluto com a tua síntese. Sem desprimor e muito menos acinte, lembraste-me uma controleira de talento que, depois das opiniões fervidas das bases, faziam o "ponto da situação" para a "linha" se manter. E mais duas: 1) sendo os meus dialogantes duas pessoas de quem gosto muito, esgotou-se-me o ímpeto polémico, eu quero agora é que abracemos o Carlos no dia 18 do mês que aí vem; 2) O assunto não me parece ter pano para mais mangas. Beijo para a Guida, abraço para o Carlos. João Tunes

quarta mai 18, 12:19:00 da manhã  
Blogger Carlos Gil opinou...

Um beijo para a Guida - gostei de te ler. E um abraço para o João casmurrão - gosto sempre de o ler, mesmo discordando como de vez em quando acontece. Até dia 18 (ai ai...)

sexta mai 20, 07:24:00 da tarde  

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