segunda-feira, junho 13, 2005

"Arrastões"


Sempre me incomodou a ideia de ser assaltada, de modo violento, sem que me pudesse defender. Pensar que me poderiam roubar fosse o que fosse, era como sentir toda a minha intimidade devassada, quase uma espécie de violação.
Impressionou-me, transtornou-me, indignou-me, a notícia do “arrastão” na praia de Carcavelos há três dias, e repetido a seguir na Quarteira. Creio que as pessoas atingidas por essa vaga de violência devem ter-se sentido também assim. O que leva bandos organizados, na sua maioria compostos por jovens de origem africana, dá pano para as muitas mangas de um fato que ninguém quer vestir. O cerne da questão ainda está intacto porque a burocracia se esqueceu de lá chegar. Daí que as medidas preventivas ou punitivas que se tomem sejam sempre insuficientes.
Mas ainda mais que isso me impressiona, me transtorna, me indigna, a forma como a cada dia que passa somos vilipendiados impunemente por aqueles que era suposto defenderem-nos, já que para isso são pagos a peso de ouro. Impostos e taxas que sobem à sombra de um défice que ninguém queria admitir que já conhecia. Bens de primeira necessidade passam a ser taxados com IVA de 21%. Num Centro de Saúde, espera-se entre oito a dez horas pelo médico de família (e com consulta marcada a tempo e horas) que não tem mãos a medir. As pensões de reforma, daquelas maneirinhas, pequenitas, que mal se fazem sentir, habitualmente creditadas em conta bancária no dia 9 ou 10 de cada mês, neste Junho de santos populares e feriados encadeados, ainda não deram sinal de vida, e estamos no dia 13! A verdade é que enquanto está do lado de lá, tudo por junto e atacado, sempre rende uns milhares em juros!
Contra que “arrastões” nos devemos prevenir? Os preparados na Cova da Moura ou os engendrados em S. Bento?

1 Opiniões:

Blogger António Baeta opinou...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

segunda jun 13, 05:22:00 da manhã  

Enviar um comentário

<< Caminho de volta